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Sugar Blues – O gosto amargo do açúcar (William Dufty)

por Lucas Pedroza

Na busca por mudanças na alimentação, é preciso questionar os hábitos cotidianos e desconstruir as verdades que até então nos pareciam absolutas. A quantidade dos ingredientes dos alimentos industrializados estão dispostos na embalagem por ordem de quantidade e já passou da hora de sabermos o que realmente estamos ingerindo, sob pena de termos uma velhice dependente dos remédios e dos médicos.

Nessa busca de informações, fui escolhido pelo livro ‘Sugar Blues – O gosto amargo do açúcar’ (Editora Ground) publicado originalmente em 1975, do escritor e pesquisador William Dufty.

Fiquei impressionado pois o livro parece tão atual, já que de lá pra cá quase nada mudou, ou seja, continuamos sem informação, enquanto o consumo da sacarose só aumenta.

Na obra, o autor conta um pouco da sua vida de dependência do açúcar e como o eliminou completamente de sua dieta. Também foi atrás de referências históricas e pesquisas científicas que evidenciam consideráveis vínculos entre o açúcar refinado e as mais alarmantes doenças modernas que vão da depressão ao derrame cerebral.

A obra tem diversas passagens que me impressionaram, pois como consumidor desde a infância, não tinha ideia sobre diversas questões que ele aborda. E por qual motivo essa informação nunca chegou até nós? Pois o açúcar sempre foi importante para as economias dos países, que investiram forte em lobby e direcionamento das pesquisas (leia compra de pesquisadores e autoridades médicas) para esconder que o açúcar refinado é na verdade um anti-nutriente, pois o processo de refino (a exemplo da farinha branca) remove a maioria dos benefícios presentes na cana ou na beterraba, e a sua ingestão exagerada (coisa normal desde a sua popularização) compromete órgãos essenciais que regulam a nossa saúde.

Destaco abaixo algumas partes que me chamaram a atenção durante a leitura, mas recomendo a leitura completa para uma maior clareza sobre o assunto, já que algo tão habitual no nosso dia-a-dia não pode ter a atenção resumida que sempre damos a tudo.

O historiador inglês Noel Deerr nos diz claramente: ‘Não seria exagero afirmar que o tráfico escravo atingiu a cifra de 20 milhões de africanos, dois terços dos quais sob a responsabilidade do açúcar.’

Quando ingerimos o açúcar refinado (sacarose), ele está a um passo de se tomar glicose, de forma a escapar grandemente aos processos químicos de nosso corpo. A sacarose passa diretamente para os intestinos, onde toma-se glicose “pré-digerida “. Esta, por sua vez, é absorvida pelo sangue onde o nível de glicose já havia sido estabelecido, num preciso equilíbrio com o do oxigênio. Desta forma, o nível de glicose no sangue é dramaticamente elevado. O equilíbrio é rompido. O corpo entra em crise. O cérebro é o primeiro a registrá-la. As cápsulas supra-renais expelem hormônios que conduzem todas as reservas químicas para enfrentar o açúcar: a insulina das “ilhotas” do pâncreas tem a função específica de controlar o nível de glicose no sangue, num antagonismo complementar aos hormônios supra-renais, ocupados em mantê-lo elevado. Tudo isso num clima de emergência, com resultados previstos. Indo tão rápido, tem uma atuação profunda. O nível de glicose do sangue cai bruscamente e uma segunda crise se origina da anterior. As ilhotas pancreáticas têm que fechar, o mesmo ocorrendo com alguns departamentos das cápsulas supra-renais. Outros hormônios suprarenais devem ser produzidos para regular a reversão na direção química e novamente elevar o nível de glicose do sangue. 2 Tudo isso se reflete na maneira como nos sentimos. Enquanto a glicose está sendo absorvida pelo sangue, nos sentimos eufóricos. Um rápido empurrão. No entanto, essa onda de energia hipotecada é sucedida por períodos de depressão. Quando o nível de glicose do sangue cai ficamos apáticos, cansados; precisamos esforço para nos mover e até mesmo para pensar, enquanto o nível de glicose do sangue está novamente se elevando. Nosso pobre cérebro fica vulnerável a suspeições e alucinações. Podemos nos tomar irritados, nervosos, sobressaltados. A severidade da crise, no ápice de outra crise, depende da sobrecarga de glicose. Se continuamos a ingerir açúcar uma nova crise dupla está sempre começando, antes da anterior terminar. No fim do dia, a crise cumulativa poderá se tornar um desastre irreparável. Após anos de dias como este, o resultado final é a avaria das glândulas adrenais. Elas se tornam gastas, não por trabalho excessivo, mas por contínuas surras. A produção global de hormônios é baixa, os volumes não se harmonizam. Este funcionamento irregular, desequilibrado, se reflete por todo o circuito supra-renal. O cérebro poderá, em breve, ter problemas, tomando o irreal por real; somos passíveis de enlouquecer. Quando chega o stress, ficamos em pedaços porque não mais possuímos um sistema endócrino saudável para enfrentá-lo. Nossa eficiência se esvai a cada dia, estamos sempre cansados, parece que nunca conseguimos terminar coisa alguma. Realmente contraímos o sugar blues.

Um livro japonês que dizia que a diabetes poderia ser controlada e evitada, comendo-se carboidratos naturais integrais, tais como o arroz integral, o feijão azuki e abóbora.”

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