A pimenta-do-reino (Piper nigrum) é o tempero mais comercializado do mundo e é uma das especiarias mais comuns adicionadas às culinárias de todo o mundo. As pequenas e duras bagas se tornaram uma mercadoria preciosa de comércio e se espalharam da Índia para o mundo. A especiaria, tão valorizada, que era usada como uma forma de dinheiro ao longo das rotas comerciais.
Esse tempero especial tem sido usado desde a antiguidade tanto pelo seu sabor, mas também como medicina, por ser um maravilhoso estimulante digestivo, carminativo (reduz os gases intestinais), expectorante, antibacteriano, diaforético (sudorífero), analgésico, febrífugo, além de anti-helmíntico (vermicida).
É útil para problemas de apetite, digestão lenta e dores abdominais. As qualidades quentes e penetrantes da pimenta são um ótimo estimulante, que ajudam a aumentar as secreções enzimáticas. Isso colabora para a melhoria da absorção de nutrientes e literalmente “queima” as toxinas do corpo. Sua qualidade anti-helmíntica, ajuda a remover os vermes. Pode ser usado como parte do tratamento físico da anorexia para estimular a fome e o interesse pela comida. Como contém cromo, um componente do fator de tolerância à glicose, a pimenta-do-reino é receitada como parte de muitos tratamentos para diabetes (Tillotson 2001).
Ameniza os casos asma, bronquite, pneumonia e dores de garganta (Bhavaprakasa). Pimenta preta infundida óleo, aplicado no nariz, pode ser um maravilhoso descongestionante para os seios bloqueados.
Ajuda a “cozinhar” os patógenos e induzir o suor, amenizando a febre. Normaliza o fogo digestivo no estômago. Usado como parte do tratamento em febres intermitentes, como a malária, quando muitas vezes é combinado com ervas amargas e refrescantes (Paranjpe, 2001).
A pimenta-do-reino tem a capacidade de estimular a microcirculação dos capilares sanguíneos, auxiliando nos casos de cirrose, hepatite e doenças de pele com sinais de sangue estagnado, manchas vermelhas ou roxas e lesões crônicas. Pode ser benéfico no congestionamento dos casos de dismenorréia e amenorréia. A aplicação externa do óleo essencial pode ajudar a aliviar a dor nevrálgica e artrítica com inchaços (Gogte, 2000).
Pode ser combinado com gengibre para problemas pulmonares com muco pegajoso. Com neem nas febres. Com mirra e açafrão na estagnação dos capilares sanguíneos. Inclua no suco de aloe vera para estimular o apetite e tratar anorexia, anemia e amenorréia.
A pimenta-do-reino deve ser evitada quando há excesso de calor e inflamação, pois pode irritar as membranas mucosas. O teor de piperina, quando usado como ingrediente isolado, tem sido associado ao aumento dos níveis sanguíneos de certos medicamentos, como propranolol, teofilina e rifampicina, já que pode inibir o metabolismo de drogas no fígado se usado por longos períodos de tempo e em altas doses. Assim, todos os pacientes que tomam medicamentos que são metabolizados no fígado devem ter cuidado (Harkness & Bratman 2003). Outras fontes relatam que é um potenciador de biodisponibilidade a curto prazo, aumentando a absorção de nutrientes, acelerando a absorção e reduzindo os níveis sanguíneos de medicação (Williamson 2002). Devido à sua intensa qualidade quente, bem como questões de segurança, não use em altas doses (+ de 5g/dia) por longos períodos de tempo. Uma dose baixa é segura para uso a longo prazo.
A piperina está em estudo por seu potencial para aumentar a absorção de selênio, vitamina B12, beta-caroteno e curcumina, bem como outros compostos. Como um remédio popular, a pimenta aparece no budista Samaññaphala Sutta, como um dos poucos remédios que um monge pode carregar.
6 gramas de pimenta moída contém quantidades moderadas de vitamina K, ferro e manganês, com traços de outros nutrientes essenciais, proteína e fibra dietética.
Fontes:
- Ayurvedic Medicine: The Principles of Traditional Practice – Sebastian Pole – 2006
- Wikipedia
- Journal of Agricultural and Food Chemistry
- Self Nutrition Data
